
Das noites em que depois dos bosques de Palermo, todo mundo para lá. E como come.
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Todo mundo diz que brasileiro morre de saudade de feijão quando muda de país. Eu morro de saudade de pão de queijo. Feijão até tem aqui, se você andar um pouco, acha no Coto ou no Disco. Mas pão de queijo de verdade não.
Existe um chamado chipá, que é quase um pão de queijo paraguaio. Mas falta queijo de verdade. Como proceder nas crises de abstinência? Eu fazia pão de queijo: os supermercados do Bairro Chinês vendem polvilho (e Twix e quase todas as guloseimas brasileiras e de outros países. Digo quase porque nunca encontrei paçoca).
Mas aí a inflação veio e fez o preço do queijo disparar (no link tem um gráfico mostrando como isso aconteceu). 210 gramas de queijo ralado custam quase 19 pesos. Aí desisti de fazer all by myself.
Por outro lado, decidi provar o pan de queso que o Starbucks vende. Primeiro: encontrar pão de queijo em Buenos Aires era impossível, mas (acho eu) devido à quantidade de turistas brasileiros (e com vontade de pão de queijo), eles decidiram incorporá-lo ao cardápios. O valor atual: 4 pesos por unidade, tamanho médio.
Não gostei.
Momento feliz: Apesar disso, a felicidade foi encontrar açaí no Pura Vista, no microcentro. Lá vendem duas versões: smoothie (como um suco) e no potinho. As duas custam entre 22 e 26 pesos. Ainda não comprei.
Back to Buenos Aires com muita chuva seguida de frio de outono e ainda sem comer medialunas. Em menos de uma semana aqui muita coisa aconteceu. E olha que era feriadão de 4 dias. Vamos que vamos aos drops del lunes.
***
Como diria meu amigo Flávio, tensãonocamburão. Ontem o Clarín não saiu porque militantes impediram a saída dos caminhões da gráfica do jornal. Muitos dizem que se trata do grêmio dos caminhoneiros, que é o mais forte aqui. Além disso, ainda ficou a discussão se foi 1) censura ou 2) um conflito sindical e econômico, já que o jornal publicou uma série de denúncias contra o líder sindical desse grêmio, Hugo Moyano.
A capa de hoje veio em branco. Achei interessante.
***
Na noite de sábado aconteceu a Noche En Vela, um espécie virada cultural inspirada na Nuit Blanche de Paris. Dos vários espetáculos, consegui ver:
Não sou muito fã de cortar o cabelo. Na época pré-vestibular, tinha as madeixas na cintura, enormes, e no dia que mamãe me perguntou quando eu ia cortá-las, respondi que só depois que entrasse na UnB.
Panic at home. ‘Minha filha, é normal não passar na primeira vez. Corta um pouco’. Mas no auge da babaquice, ego e fixação (e das 13 ou 14 horas diárias de estudo) disse que mantinha minha posição.
Passei, cortei. Acima do ombro. Lembro que passava a mão pelo meu cabelo e sentia falta do tamanho todo. Cabelo cresce.
E aí inventei de ir a Buenos Aires e precisava encontrar um salão urgente E confiável. MEDO. As porteñas tem um cabelo lindo e liso, longe do que o meu é. Mesmo assim, algumas conseguem estragar o visual. Panic outside home.
Até tentei perguntar a uma colega, ams ela me disse que cortava o cabelo em Nueba Jorrke. Sorry. Tem uns dois anos que fui a New York e não cortei lá.
Sei que no desespero achei um salão bonito e entrei, perguntei se tinha hora livre e fui. MEDO. Mas deu certo.
“Un poco de capas porque ni pelo se llena de rulo grandes y queda prohibido volver a los años ochenta en mi cabeza”
E desde então só cortava lá, no Llongueras (espécie de salão-franquia, tipo o Metamorphose). Mas enfim, era só pra falar que cortei de novo ainda em Brasília e dei adeus às pontas tríplices (Buenos Aires + Brasília + Barra Grande) que serviam como passatempo no engarrafamento da Esplanada every day.
Eu não me lembro de quando ouvi falar de Dom Quixote. Mas sei bem quando ganhei o primeiro Harry Potter (quando a fonte da capa ainda era outra e o Draco era Drago).
A memória é ótima ao me lembrar das vezes que li João e Maria e Os 3 Porquinhos na enciclopédia de histórias infantis da mamãe (os desenhos em preto e branco, lindos).
Também me recordo bem dos gibis da Turma da Mônica e dos livros da Ruth Rocha. Inclusive, treinava a separação silábica rabiscando e cortando as palavras em qualquer volume que cruzasse meu caminho.
Mas o Dom Quixote. O Dom Quixote apareceu desde sempre. E foi lido com muito carinho, já que a lembrança da sua existência não existe. É como se eu sempre soubesse da história desde pequena.
E foi muito feliz quando descobri que a Real Academia Española tomou uma iniciativa muito legal. Todo dia, alguém grava uma passagem do livro e posta no canal deles no YouTube. Assim, todos poderão ler/escutar o Don Quijote:
E quem quiser se arriscar, o jornal El Mundo colocou o livro todo no site (tá em espanhol). Clica aqui
Você se arruma, passa perfume, maquiagem e cia. Pega o ônibus e vai trabalhar. Sempre tem um personagem que vai pedir dinheiro (não vou entrar na discussão sobre a pobreza, ok?) e as histórias são sempre assim, digamos, inacreditáveis.
Ontem veio um com macacão, contou seu conto e ninguém deu nada. E resolveu apelar para versos próprios que, na verdade, se tratavam de uma mistura estranha de Apocalipse, com Zé Ramalho, Paulo Coelho e geopolítica internacional atrasada.
Coesão deu alô e tomou doril.
E quando ele desistiu, já que o povo de ônibus é sempre mão de vaca (tirando quando é a menina surda), deixou o recado:
“Espero que o Bin Laden se esqueça de todos vocês! Porque Brasília é patrimônio cultural do mundo. E se ele já pipocou duas torres, aqui vira alvo fácil. Porque como diria Zé Ramalho ‘esse é o Brasil’. Que Deus tenha pena de todos e não deixe nenhum avião cair. Amém!”
Fiquei pensando se o cara era uma espécie de profeta das ruas (sou mestra em atraí-los) ou se tava com raiva mesmo.
***
Fui dormir e adivinha com o que sonhei? Estava no Anexo II da Câmara e começava a ver fumaça. Um segurança se aproxima e me avisa que é para eu me juntar às pessoas que estavam na Esplanada.
Quando subo as escadas e saio do Anexo II, as duas torres do Congresso estavam pretas, pegando fogo. Para completar meu drama, ainda tinham dois aviões na esplanada com várias pessoas feridas.
Acordei assustada e vi que a escuridão era a luz do meu quarto apagada.
A Universidad Católica Argentina (UCA) tem convênio com a ACM. Quando eu morava lá, vivia prometendo me matricular. Até fiz um trato com um colega: nos matricularíamos juntos. Ele começou e eu me enchi de matérias.
Voltei. Perto da UnB tem uma academia. Mamãe e irmã vão todo santo dia (pelo menos minha irmã, louca por exercício). Arranjei um trabalho e ocupei o tempo da noite com aula.
Férias.
Meu namorado vem me visitar e sai para correr quase todo dia. Eu trabalho. Namorado vai embora e prometo andar todo dia depois que sair do trabalho. Não ando. Estou na labuta e todo dia passa a moça da ginástica laboral. Ninguém vai.
Aí, hoje, passa a moça de novo e entra na sala. Liga o som e fala: “a aula vai ser aqui”.
Metade dos colegas saem para reunião. Fico e “traio o movimento”, como diria Dado.
Mudando totalmente de tema, vou parecer meio repetitiva ao falar do Big Mac Index. Na verdade, trata-se de um ponto que eu não toquei, que é sobre a inflação na Argentina e como isso reflete nos preços dos sanduíches.
Acontece que hoje vi que a Economist pede aos leitores que ajudem a reformular o novo índice de preços, já que há diferença entre o nível de inflação que o governo divulga e o aumento geral de preços (no caso, o do Big Mac).
Aí, eles juntaram os caquinhos e fizeram um gráfico (inclusive para ver como isso anda aqui no Brasil).
Mas o interessante (para não dizer sarcástico ou maldoso) é o recado da revista sobre o tema:
However, burgernomics does support claims that Argentina’s government is cooking the books. The gap between its average annual rate of burger inflation (19%) and its official rate (10%) is far bigger than in any other country. Its government deserves a good grilling.
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Volta e meia o assunto inflação argentina retornará na minha pauta aqui, já que meu projeto final é sobre a cobertura de inflação na Argentina. E o Big Mac Index, com certeza, é uma das formas de abordar o tema (mas com algumas ressalvas que aparecerão em outros posts).
Já disse aqui que cumprir promessas não é bem o meu forte, mas isso tá vivo. E parei um tempinho por uma fórmula plausível: fim de semestre louco + namorado de visita por um mês + viagem.
O lado bom é que voltei cheia de ideias para cá. E no meio disso, fiz muita coisa legal. A primeira delas foi uma matéria para rádio sobre noivas blogueiras e organização de casamento.
Quanto detalhe, quanto dinheiro. Quando entreguei a matéria para a professora, até comentei que dava para fazer uma série só sobre o assunto. Inclusive, me animei para continuar esse trabalho depois.
E acho que o melhor de ter feito a matéria foi conhecer gente tão legal. Todo mundo indicava alguém, que falava sobre outra pessoa e aí quando fui ver minha lista de contatos: surpresa! Como fazer uma matéria de 4 minutos com 10 pessoas?
Não deu, tive que cortar e cancelar entrevistas. E o resultado? Estourei os 5 minutos, mas valeu a pena. Levei um puxão de orelha por ter passado, porém gostei muito do que fiz. E das pessoas que conheci. E do conhecimento.
Não consegui colocar o aúdio da matéria aqui, mas dá para ouvir no site das meninas:
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Curiosidade: Na Argentina, as festas de casamento não têm trufas e nem docinhos (oi?), mas sim a famosa (lá) mesa de tortas. Além do bolo dos noivos, ainda tem uma mesa enorme, cheia de tortas de vários tipos. Delícia também, mas eu senti muita falta do bem-casado no fim da festa. Nessa hora, eles distribuem mini-pizza. Costumbre de hermanos…
Sabe quando você sente que precisa escutar uma música, não sabe qual é e ainda quer um videoclip que massageie sua mente? Então, encontrei o de hoje.
Boqueteros. Depois de tipografia, buenos aires e como se vestir com 11 graus, esse é o tópico mais procurado no blog. Então vamos esclarecer. Roubo a caixa de banco na Argentina é chamado de boquete. Logo, quem participa é boquetero. E no ano novo ocorreu mais um roubo assim e agora desconfiam que haja participação de brasileiros.
Verão em Brasília inclui muita chuva. Buenos Aires é uma cidade muito úmida e antiga, logo: chuva = água pra tudo quanto é lado. Então, virei adepta das galochas. Aí, na chuva brasiliense, saio com as minhas. E o que acontece? Todo mundo me olhando “quem é essa wannabefashion”? Pelo menos chego sempre com os pés secos. Sei que nesta semana uma colega criou coragem e me perguntou se eu não tinha vergonha, porque ela tem galochas lindas, mas todo mundo faz cara estranha. Eu não. Protejo meus pés e ainda invento minha moda.
Serviço: em Buenos Aires, nas lojas Todo Moda e também tem umas legais da marca Seco em San Telmo e em Palermo.
E a história das fitas perdidas do Lennon saiu na Rolling Stone argentina. Será verdade? Aqui, ó.